Visitantes

contador grátis

11 de mai de 2010

Síndrome de Alienação Parental


Síndrome da Alienação Parental
Richard Alan Gardner (28/04/1931 – 25/05/2003)
Professor da divisão de psiquiatria da Universidade de Columbia

Um fenômeno verificado por profissionais da área de saúde mental, bem como por advogados e juízes no Direito de Família, foi descrito pelo psiquiatra norte-americano Richard Gardner, especialista diante destas temáticas, em 1985.
A alienação parental, é definida como:
“transtorno caracterizado pelo conjunto de sintomas que resulta no processo pelo qual um progenitor transforma a consciência de seus filhos, mediante diferentes estratégias, com o objetivo de impedir, obstruir ou destruir seus vínculos com o outro progenitor, até torná-la contraditória.”
Em outras palavras, é uma programação, através da qual a criança passa a odiar um dos genitores, sem motivo real.

São descritos 4 critérios aferidores do processo alienatório:

1. Obstrução do contato: o alienador busca a todo custo obstaculizar o contato do não-guardião com o filho e para tanto se utiliza os mais variados meios tais como interceptações de ligações e cartas, críticas demasiadas, tomada de decisões importantes da vida do filho sem consultar o outro;

2. Denúncias falsas de abuso: é a mais grave das acusações que o guardião pode fazer, incutir na criança a idéia de que o outro genitor está abusando sexualmente ou emocionalmente fazendo com que a criança tenha medo de encontrar com o não-guardião;

3. Deterioração da relação após a separação: o rompimento da relação conjugal faz com que o alienador projete nos filhos toda a frustração advinda da separação, persuadindo a criança a afastar do não guardião com a alegação de que ele abandonou a família, e que fará sofre assim como o fez;

4. Reação de medo: a criança passa a ser protagonista do conflito dos pais e por medo do guardião voltar-se contra si a criança se apega a esse e afasta do outro.

A SAP é graduada em estágios: leve, moderado e grave.

No estágio leve: a criança se sente desajeitada somente no momento em que os pais se encontram, afastado do guardião, a criança mantém um relacionamento normal com o outro genitor.

No estágio moderado: a criança apresenta-se indecisa e conflituosa nas suas atitudes, em certos momentos já mostra sensivelmente o desapego ao não-guardião.

No estágio grave: a criança apresenta-se doente, perturbada ao ponto de compartilhar todos os sentimentos do guardião, não só escutando as agressividades dirigidas ao não guardião como passa a contribuir com a desmoralização do mesmo, as visitas nesse estágio são impossíveis.

O afastamento é fruto de uma programação lenta e diária do guardião para que o filho, injustificadamente, rejeite o seu outro genitor.

Sintomas descritos por Gardner
Incluem:
- campanha denegritória contra o genitor alienado
- racionalizações fracas, absurdas, frívolas para a depreciação
- falta de ambivalência
- o fenômeno do “pensador independente”
- apoio automático ao genitor alienador no conflito parental
- ausência de culpa sobre a crueldade e/ou a exploração contra o genitor alienado
- a presença de encenações “encomendadas”
- propagação da animosidade aos amigos e/ou à família extensa do genitor alienado

É típico a presença da maioria dos sintomas, mas casos leves podem não haver todos, e podem evoluir para moderado ou severo, onde se verificam a maioria, senão todos, sendo claro e fácil seu diagnóstico. Para ele, o que caracteriza uma síndrome, é um conjunto de sintomas que identificam uma doença específica. Sobre sua inclusão nos manuais mundiais de psiquiatria, justifica que esta ainda não se encontra listada no DSM-IV, mas provavelmente estará no DSM-V, visto que hoje existem mais informações relevantes sobre o tema, do que quando organizada a referida edição. Entretanto, considera-se que é aceita na comunidade, bem como nos tribunais.
Para fins de diagnóstico, foram encontrados quadros de Transtorno psicótico compartilhado (delírio que se estabelece em uma relação, similar ao conteúdo com a qual está com o delírio estabelecido), tanto aplicáveis às crianças quanto ao alienador. Aplicáveis aos pais alienadores: transtorno delirante (do tipo persecutório); transtorno de personalidade paranóide; transtorno de personalidade borderline, transtorno de personalidade narcisista, entre outros.

Aplicáveis às crianças:
Conseqüências
- Transtorno de conduta (inclui comportamentos persistentes de violação às regras adequadas à idade, como ameaças, lutas corporais, crueldade com animais, destruição de propriedade,incêndios, furtos, violação das regras do lar, como n’ao voltar pra casa no horário, entre outros)

- Transtorno de ansiedade de separação (ansiedade excessiva ou inadequada envolvendo afastamento das figuras de vinculação, incluindo recusa e relut”ancia em ir para escola em raz’ao do medo da separa;’ao, comum em mais superprotetoras, n’ao sendo a escola o objeto do medo, mas a casa ou algu[em a quem a criança é patologicamente apegada)

- Transtorno dissociativo (sintoma dissociativo presente, como alterações na memória, identidade e percepção, comuns após períodos de persuasão e coerção, como a lavagem cerebral), presente em casos severos, como estado de transe, agem como robôs)

- Transtornos de ajustamento (humor deprimido, ansiedade, alteração de conduta e emoções ) a criança teme que expressões de afeição pelo genitor-alvo conduza a rejeição dela pelo alienador.

Aplicáveis aos pais alienados: Transtorno de personalidade de esquiva eTranstorno de personalidade dependente, além de stress e depressão.

Como consequência para as crianças, autores brasileiros indicam sintomas como:
Depressão
Incapacidade para adaptar-se aos ambientes sociais
Transtornos de identidade e de imagem
Desespero
Tendência ao isolamento
Comportamento hostil
Falta de organização
E algumas vezes abuso de drogas, álcool e suicídio.


Referências bibliográficas:


- DIAS, Maria Berenice. Síndrome da alienação parental, o que é isso?
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8690

- FONSECA, Priscila Maria Pereira Corrêa da. Síndrome da Alienação Parental.
http://www.pediatriasaopaulo.usp.br/upload/pdf/1174.pdf

- SEGUNDO, Luiz Carlos Furquim Vieira. Síndrome da Alienação Parental: O Bullying nas Relações Familiares. Disponível em http://www.lfg.com.br - 25 de outubro de 2009.

- SOUZA, Raquel Pacheco Ribeiro de. ALIENAÇÃO PARENTAL - CABE À SOCIEDADE VELAR PELOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
http://www.defensoriapublica.mg.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2192&Itemid=110

- Gardner. Richard A. O DSM-IV tem equivalente para o diagnóstico de Síndrome de Alienação Parental (SAP)?
- A SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL NA REFORMA DO JUDICIÁRIO.
http://www.alienacaoparental.com.br/textos-sobre-sap

2 comentários:

  1. Parabéns pelo seu blog!!Muito bom mesmo!Sou estudante de psicologia pela UFPI e tenho que apresentar um seminário de psicologia juridica e também fazer um projeto de pesquisa sobre esse tema!Estou muito feliz com o curso e assim como voce tambem quero me especializar na area de psi. juridica!abraço e sucesso!

    ResponderExcluir
  2. por favor, gostaria de deixar aqui uma IMPORTANTÍSSIMA OBSERVAÇÃO: AO LADO, TEM ALGUNS TÍTULOS PARA LEITURA, um deles descreve: Síndrome da alienação parental e a "tirania do guardião". GOSTARIA DE SALIENTAR QUE A PALAVRA CORRETA A SER UTILIZADA É ALIENADOR, POIS ESTOU PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA EM QUE EU SOU A GUARDIÃ E TBM SOU A GENITORA ALIENADA. Então, é importante observar que em todos os textos de alienação parental, deve-se ter o cuidado de se usar os termos, como ALIENADOR E ALIENADOS, apenas esses. Obrigada.
    Raquel Junges Schmitt, mãe de Vitória Ananda Schmitt Capitanio.

    ResponderExcluir