Visitantes

contador grátis

28 de mai de 2010

Segurança Pública


Luiz Eduardo Soares

Interessada pela área, visto que é diretamente ligada à criminologia, e tem reflexos no meu trabalho, final do ano passado, quando em viagem à Curitiba, numa destas visitas às livrarias, que muita gente adora( inclusive eu..rs), encontrei um livro sobre a temática, e, sem querer, descobri que esse autor, ex secretário de segurança pública do Rio de Janeiro, tem muito a dizer. Acho sempre importante ler, para argumentar. E descobri recentemente que ele é indicação em cursos sobre segurança pública, apoiados pelo Ministério da Jutiça (PRONASCI. Vale referência:

http://www.luizeduardosoares.com.br/

Alvino Augusto de Sá



Vejam só a ironia do destino. Em 1998, se bem me recordo a data, quando ainda fazia faculdade em Bauru, eu tive uma palestra com este homem, numa semana acadêmica. Não achei muito interessante, e confesso até que me retirei antes do término. Quando comecei a trabalhar no sistema penitenciário, em 2002, tive uma grande mestra, Margarete Rodrigues, também psicóloga, diretora nda PEF na época, e depois, tive que buscar conhecimento... embasamento para o meu trabalho. Aí redescobri Alvino. Meus Deus, ele é genial! Tem um curriculum excepcional(nunca vi tão extenso!
Aposentado como psicólogo do sistema penitenciário de São Paulo, é doutor, professor de Criminologia da USP. E aí comecei a ler seus escritos.
Digo sempre que é questão de amadurecimento, também da aquisição e absorção do conhecimento. Tem épocas da vida, e principalmente na faculdade, que o número de informações é demasiado, e que, quando assimilamos à prática, ele tem outro sentido. Tive que referendá-lo. O admiro, sou mesmo sua fã.De uma experiência indiscutível, e de uma produção bibliográfica rara. Escreveu obras como: ¨Criminologia Clínica e Psicologia Criminal¨, editado pela RT.

Em 2008 tivemos, eu e meu colega Werner, que assumiu o concurso comigo, o prazer de recebê-lo em Foz do Iguaçu para uma palestra. Momento inesquecível. Quisera eu, ser sua aluna do mestrado da USP!


Para relembrar, fotos de sua palestra no Hotel Bella Itália, e depois autografando livros para seu público.


BOPE e Blog do Vlad



Vladimir Aras. Não o conheço. Encontrei seu blog por acaso, nas minhas pesquisas na Internet... e ele tem um blog fantástico, de boas análises. Professor de Processo Penal. Vale a pena conferir, para os que se interessam pela matéria. Esses dias ele postou sobre o policial do BOPE, que matou um inocente. Notícia polêmica. Recomendo sua crítica. Precisam conferir:

http://blogdovladimir.wordpress.com/2010/05/23/o-bope-tambem-vai-pegar-voce/

O BOPE é um grupo especial da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Também polêmico, e conhecido, principalmente após a exibição do filme brasileiro ¨TROPA DE ELITE¨.

http://www.policiamilitar.rj.gov.br/bope/

23 de mai de 2010

Centro de Observação Criminológica de Brasília







A vida, mesmo à distância, me apresentou o colega psicólogo Glauber Vieira, do Centro de Observação Criminológica de Brasília. Trabalhamos na mesma área e podemos trocar figurinhas, o que sempre nos enriquece.
Ele me contou que passou por lá o falecido Ademar Jesus da Silva, o "maníaco de Luziânia. Recentemente, ele me envio uma reportagem que divido link com vocês, já que me parece não ser possível copiar aqui.

http://www.sinpoldf.com.br/tribunapolicial/files/tribuna_digital.html



Em pé: Marcelle e Ricardo
Sentados: Marco, Matheus, Tathiana e estagiário Renato

e faltou o Glauber!!!

Rubem Alves



Quero saber mais das histórias e personalidades, quero mesmo que rapidamente, deixá-las registradas aqui, e na minha alma. E assim Rubem Alves, deixa em mim, palavras jamais esquecidas.


Rubem Alves. Nascido em 15/09/1933, em Boa Esperança-MG.
Teólogo. Filósofo. Professor. Educador. Escritor. Poeta. Psicanalista.
Fantástico. Conhecedor de almas. De adultos e de crianças.
Ainda não consegui de fato comprar seus livros. Li textos isolados, buscados na Internet, ou recebidos. Mas ainda quero tê-lo na minha varanda.
Não me esqueço de um, maravilhoso, que uso constantemente em grupos que faço com as pessoas que estão presas. Aí vai:
_________________________________________________________________________
A pipoca
Rubem Alves

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.

Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.

Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas.

Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.

A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.

A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.

Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.

Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...

A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.

Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.

Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.

Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á".A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...

"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".


O texto acima foi extraído do jornal "Correio Popular", de Campinas (SP), onde o escritor mantém coluna bissemanal.
Rubem Alves: tudo sobre sua vida e sua obra em "Biografias
________________________________________________________________
A sua bibliografia você encontra em:
http://www.releituras.com/rubemalves_bio.asp

22 de mai de 2010

Diamante de Sangue


Neste dia 21 de maio de 2010 houve na aula da turma de Direito da Cesufoz apresentação de seminario pelos alunos, um recurso didático que promove um envolvimento dos alunos com uma temática específica, e que proporciona ainda o desenvolvimento da oratória. Um dos grupos apresentou o tema: Direitos Humanos, que é embasado pelo documento da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O referido grupo, integrado pelos alunos Renato, Diego e sua namorada, além de Kauane,exibiram o trecho do filme "Diamante de Sangue" e, como eu tenho uma memória muito ruim, acabei por gostar muito de relembrar, visto que eu o assisti, nem sem quando, mas foi muito pertinente.
O nome do filme se refere á exploração de diamantes, que se sobrepõe à vida das pessoas. Pessoas são mortas e escravizadas pela exploraçâo, gerando riqueza diante da morte massificada de pessoas.

Sinopse em http://wwws.br.warnerbros.com/blooddiamond/ :
"Tendo como pano de fundo o caos e a guerra civil que dominou Serra Leoa na década de 1990, Diamante de Sangue conta a história de Danny Archer (LEOARDO DICAPRIO), um ex-mercenário do Zimbábue, e Solomon Vandy (DJIMON HOUNSOU), um pescador da etnia Mende. Ambos são africanos, mas suas histórias e circunstâncias de vida são totalmente diferentes até que o destino os reúne numa busca para recuperar um raro diamante rosa, o tipo de pedra que pode transformar uma vida...ou acabar com ela.
Solomon, que foi arrancado de sua família e forçado a trabalhar nos campos de diamante, encontra a pedra extraordinária e se arrisca a escondê-la ciente de que, se for descoberto, será morto imediatamente. Mas ele também sabe que o diamante poderia não apenas fornecer os meios para salvar a esposa e as filhas de uma vida de refugiadas, como também ajudar a resgatar seu filho, Dia, de um destino muito pior como soldado infantil.
Archer, que vivia da troca de diamantes por armas, fica sabendo da pedra de Solomon enquanto está na prisão por contrabando. Ele sabe que um diamante como esse só se encontra uma vez na vida – e vale o bastante para ser seu bilhete de saída da África e do ciclo de violência e corrupção no qual ele era um jogador dedicado.
Então surge Maddy Bowen (JENNIFER CONNELLY), uma jornalista americana idealista que está em Serra Leoa para desvendar a verdade por trás dos diamantes de sangue, expondo a cumplicidade dos chefes da indústria das pedras, que optaram pelo lucro no lugar dos princípios. Maddy vai atrás de Archer como fonte para seu artigo, porém logo descobre que é ele quem precisa muito mais dela.
Com a ajuda de Maddy, Archer e Solomon se embrenham por uma perigosa trilha dentro do território rebelde. Archer precisa de Solomon para encontrar e recuperar o valioso diamante rosa, porém Solomon anseia por algo muito mais precioso... seu filho."



Um bom filme! Vale a pena relembrar!

Michael Foucault



Ando curiosa. Anseio pelo conhecimento. Me torturo pela falta de tempo para conhecer mais e mais. E, nos raros momentos que me permito caminhar sem destino, encontro. E aqui me permito, e ouso, a troca.

Autor do livro "Vigiar e Punir", que fala da história da prisão. Referência obrigatória do Direito Penal, da Justiça Criminal, da Criminologia, da Psicologia Criminal. Seu livo aparece até com um ator no filme brasileiro "Bope".

Paul-Michel Foucault .
Nasceu em Poitiers, na França, em 15 de outubro de 1926.
Faleceu em 25 de junho de 1984, aos 57 anos, em função de complicações da AIDS, numa época onde sabia-se pouco sobre a doença e se morria rapidamente. Na adolescência reconheceu sua homossexualidade e isso trouxe sofrimento. De família tradicional, mediana, católica, composta de muitos médicos.
Um pensador. Filósofo. Psicólogo. Sociólogo.Escritor.
Homem brilhante, destacou-se entre os seus, em qualquer condição ou posição.
Seja como aluno, seja como professor.
Esteve no Brasil em alguns momentos de sua vida.

Suas obras:
- "História da Loucura” (1961 - Histoire de la Folie à l'âge Classique)
- “As Palavras e as Coisas” (1966 - Les Mots et les choses)
- “A Arqueologia do Saber” (1969 - L'Archeologie du Savoir)
- “Vigiar e Punir” (1975 - Surveiller et punir: Naissance de la prison)
- “Doença Mental e Psicologia” (1984 - Maladie Mentale et Psychologie)
- “História da Sexualidade” (Historie de la Sexualité ) – inacabado, projeto de 6 volumes: Vol 1 - 1976 - La Volonté de Savoir (A Vontade de Saber)
Vol 2 e 3 - 1984 : L'Usage des plaisirs (O uso dos prazeres), que analisa a sexualidade na Grécia - Antiga e Le souci de soi (O cuidado de Si), que trata da Roma Antiga.

Sua bibliografia, mais completa, e com edições no Brasil, estão indicadas em http://www.propp.ufms.br/psgrd/grupo-mf/obrasfou.html

Mais infomações nos sites acessados em 22/05/10:
http://www.propp.ufms.br/psgrd/grupo-mf/biografi.html
http://vsites.unb.br/fe/tef/filoesco/foucault/bio1.pdf
http://www.ipep.edu.br/portal/publicacoes/revista/Revista%20Fipep2007/Resenha.pdf
http://www.cirino.com.br/artigos/jcs/30anos_vigiar_punir.pdf
http://www.unicamp.br/~aulas/pdf3/26.pdf

16 de mai de 2010

"A vida de David Gale"


Há tempos vejo referências e indicações deste filme. Sempre procuro nas Lojas Americanas, onde considero acessíveis dvds originais, e prefiro adquirir do que locar. Mas, ontem estava passando os canais da tv na madrugada e lá estava ele iniciando!


Do site http://www.interfilmes.com/filme_14732_A.Vida.de.David.Gale-(The.Life.of.David.Gale).html

Sinopse:
David Gale (Kevin Spacey) é um professor que trabalha na Universidade do Texas e também um ativista contra a pena de morte. Até que, após o assassino de uma colega de trabalho, Gale é injustamente acusado e condenado à pena contra a qual ele tanto combate. O caso chama a atenção de Elizabeth Bloom (Kate Winslet), uma jornalista que decide investigar a vida de Gale e também o sistema judicial que o condenou à pena de morte.

Informações Técnicas:
Título no Brasil: A Vida de David Gale
Título Original: The Life of David Gale
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 130 minutos
Ano de Lançamento: 2003
Site Oficial: http://www.thelifeofdavidgale.com/
Estúdio/Distrib.: Universal Pictures / Saturn Films / InterMedia Films Equities Ltd. / Dirty Hands Productions
Direção: Alan Parker


Tenho curiosidade em saber do autor da história, a intenção que tinha ao escrever, o que pretendia atingir, e de onde vem suas idéias... esse complexo universo psi...
E a criatividade? me impressiona. Filme Inteligente. Sobre pena de morte, sobre o sistema de justiça, advogados... pessoas... com final surpreendente.

Fiquei pensando, quando acabou, o quanto faltam recursos e disposição para invetigação concreta dos crimes. Levando pra nossa realidade, acredito que temos profissionais que utilizam técnicas, estabelecem raciocínios brilhantes e podem desvendar muitos crimes, mas o Governo não investe em recursos humanos e nem materiais, e acaba que a conta sai cara para a população em geral. Vou refletir mais sobre isso. Um dia quero escrever sobre a pena de morte.

11 de mai de 2010

A importância das figuras parentais...


“Por experiências de lar primário entende-se a experiência de um ambiente adaptado às necessidades especiais da criança, sem o que não podem ser estabelecidos os alicerces da saúde mental. Sem alguém especificamente orientado para as suas necessidades, a criança não pode encontrar uma relação operacional com a realidade externa. Sem alguém que lhe proporcione satisfações instintivas razoáveis, a criança não pode descobrir seu corpo nem desenvolver uma personalidade integrada. Sem uma pessoa a quem possa amar e odiar, a criança não pode chegar a saber amar e odiar a mesma pessoa e, assim, não pode descobrir seu sentimento de culpa nem o desejo de restaurar e recuperar. Sem um ambiente humano e físico limitado que ela possa conhecer, a criança não pode descobrir até que ponto suas idéias agressivas não conseguem realmente destruir e, por conseguinte, não pode discernir fantasia de fato. Sem um pai e uma mãe que estejam juntos e assumam juntos a responsabilidade por ela, a criança não pode encontrar e expressar seu impulso para separá-los nem sentir alívio por não conseguir fazê-lo. O desenvolvimento emocional dos primeiros anos é complexo e não pode ser omitido, e toda criança necessita absolutamente de um certo grau de ambiente favorável se quiser transpor os primeiros e essenciais estágios desse desenvolvimento.”

Adoro este trecho de Winnicott.


Donaldo Winnicott (Inglaterra, 1896-1971)
Pediatra psicanalista
Autor de obras como “Privação e Delinquência” e “A família e o desenvolvimento individual” Fala da importância da mãe como organizador psíquico da criança.
Assinala a importância do amor como necessidade da criança em desenvolvimento
Fala sobre situações de privação emocional que podem desencadear a delinquência.
Para ele, o roubo está relacionado a separação da mãe nos primeiros anos da infância.

Evento no Hotel Internacional em 06/05/2010


Sobre o evento que divulguei aqui anteriormente, acabei por não comentar. As organizadoras, Thatiana Leão (OAB) e Mara Baran (CRP), locaram a sala disponível no Hotel Internacional para 300 pessoas, e fizeram um belíssimo trabalho de organização e divulgação, agregando conhecimento, preconizando a interdisciplinaridade. Psicologia, Direito e Serviço Social num mesmo evento: CRP, OAB e CRESS, contando ainda com apoio de outros como Itaipu, além de colegas professores como Alan, Osny e Sérgio. A idéia foi do Sr Analdino Rodrigues da ONG APASE. Entendendo ser temática que necessita ser divulgada, ser conhecida para intervir, a proposta, sem fins lucrativos (apenas custeando despesas do evento em si), era trazer o tema ao conhecimento de colegas profissionais, atuantes na cidade, e de nossos alunos. UNIFOZ, CESUFOZ, Faculdade Anglo-Americano, Uniamérica e UDC: todos convidados a compartilhar informação.
Os convites eram limitados, mas se esgotaram rapidamente, e foram abertos 150 novos lugares, que rapidamente também se esgotaram. O que me trás a reflexão do quanto Foz do Iguaçu é carente de eventos como esse! Pertinentes!Acessíveis! Que seja motivador para que tragam mais pessoas enriquecer nosso conhecimento e possibilitar a troca.
Com a vinda do Dr Waldyr de Curitiba, o que faltou ao evento foi tempo para discussão! Mesmo diante de imprevistos e falhas em equipamentos locados, fiquei contente em participar deste momento com colegas e alunos! Bom ver rostos conhecidos e olhares interessados! Todos comprometidos!
Se alguém quiser sugerir temas, nomes, posso repassar às oganizadoras, às instituições, para quem sabe... dividirmos as cadeiras de um próximo encontro!

A Síndrome da Alienação,tenho certo de que hoje já faz parte do conhecimento dos participantes! Sensibilizados diante de sua problemática.

Síndrome de Alienação Parental


Síndrome da Alienação Parental
Richard Alan Gardner (28/04/1931 – 25/05/2003)
Professor da divisão de psiquiatria da Universidade de Columbia

Um fenômeno verificado por profissionais da área de saúde mental, bem como por advogados e juízes no Direito de Família, foi descrito pelo psiquiatra norte-americano Richard Gardner, especialista diante destas temáticas, em 1985.
A alienação parental, é definida como:
“transtorno caracterizado pelo conjunto de sintomas que resulta no processo pelo qual um progenitor transforma a consciência de seus filhos, mediante diferentes estratégias, com o objetivo de impedir, obstruir ou destruir seus vínculos com o outro progenitor, até torná-la contraditória.”
Em outras palavras, é uma programação, através da qual a criança passa a odiar um dos genitores, sem motivo real.

São descritos 4 critérios aferidores do processo alienatório:

1. Obstrução do contato: o alienador busca a todo custo obstaculizar o contato do não-guardião com o filho e para tanto se utiliza os mais variados meios tais como interceptações de ligações e cartas, críticas demasiadas, tomada de decisões importantes da vida do filho sem consultar o outro;

2. Denúncias falsas de abuso: é a mais grave das acusações que o guardião pode fazer, incutir na criança a idéia de que o outro genitor está abusando sexualmente ou emocionalmente fazendo com que a criança tenha medo de encontrar com o não-guardião;

3. Deterioração da relação após a separação: o rompimento da relação conjugal faz com que o alienador projete nos filhos toda a frustração advinda da separação, persuadindo a criança a afastar do não guardião com a alegação de que ele abandonou a família, e que fará sofre assim como o fez;

4. Reação de medo: a criança passa a ser protagonista do conflito dos pais e por medo do guardião voltar-se contra si a criança se apega a esse e afasta do outro.

A SAP é graduada em estágios: leve, moderado e grave.

No estágio leve: a criança se sente desajeitada somente no momento em que os pais se encontram, afastado do guardião, a criança mantém um relacionamento normal com o outro genitor.

No estágio moderado: a criança apresenta-se indecisa e conflituosa nas suas atitudes, em certos momentos já mostra sensivelmente o desapego ao não-guardião.

No estágio grave: a criança apresenta-se doente, perturbada ao ponto de compartilhar todos os sentimentos do guardião, não só escutando as agressividades dirigidas ao não guardião como passa a contribuir com a desmoralização do mesmo, as visitas nesse estágio são impossíveis.

O afastamento é fruto de uma programação lenta e diária do guardião para que o filho, injustificadamente, rejeite o seu outro genitor.

Sintomas descritos por Gardner
Incluem:
- campanha denegritória contra o genitor alienado
- racionalizações fracas, absurdas, frívolas para a depreciação
- falta de ambivalência
- o fenômeno do “pensador independente”
- apoio automático ao genitor alienador no conflito parental
- ausência de culpa sobre a crueldade e/ou a exploração contra o genitor alienado
- a presença de encenações “encomendadas”
- propagação da animosidade aos amigos e/ou à família extensa do genitor alienado

É típico a presença da maioria dos sintomas, mas casos leves podem não haver todos, e podem evoluir para moderado ou severo, onde se verificam a maioria, senão todos, sendo claro e fácil seu diagnóstico. Para ele, o que caracteriza uma síndrome, é um conjunto de sintomas que identificam uma doença específica. Sobre sua inclusão nos manuais mundiais de psiquiatria, justifica que esta ainda não se encontra listada no DSM-IV, mas provavelmente estará no DSM-V, visto que hoje existem mais informações relevantes sobre o tema, do que quando organizada a referida edição. Entretanto, considera-se que é aceita na comunidade, bem como nos tribunais.
Para fins de diagnóstico, foram encontrados quadros de Transtorno psicótico compartilhado (delírio que se estabelece em uma relação, similar ao conteúdo com a qual está com o delírio estabelecido), tanto aplicáveis às crianças quanto ao alienador. Aplicáveis aos pais alienadores: transtorno delirante (do tipo persecutório); transtorno de personalidade paranóide; transtorno de personalidade borderline, transtorno de personalidade narcisista, entre outros.

Aplicáveis às crianças:
Conseqüências
- Transtorno de conduta (inclui comportamentos persistentes de violação às regras adequadas à idade, como ameaças, lutas corporais, crueldade com animais, destruição de propriedade,incêndios, furtos, violação das regras do lar, como n’ao voltar pra casa no horário, entre outros)

- Transtorno de ansiedade de separação (ansiedade excessiva ou inadequada envolvendo afastamento das figuras de vinculação, incluindo recusa e relut”ancia em ir para escola em raz’ao do medo da separa;’ao, comum em mais superprotetoras, n’ao sendo a escola o objeto do medo, mas a casa ou algu[em a quem a criança é patologicamente apegada)

- Transtorno dissociativo (sintoma dissociativo presente, como alterações na memória, identidade e percepção, comuns após períodos de persuasão e coerção, como a lavagem cerebral), presente em casos severos, como estado de transe, agem como robôs)

- Transtornos de ajustamento (humor deprimido, ansiedade, alteração de conduta e emoções ) a criança teme que expressões de afeição pelo genitor-alvo conduza a rejeição dela pelo alienador.

Aplicáveis aos pais alienados: Transtorno de personalidade de esquiva eTranstorno de personalidade dependente, além de stress e depressão.

Como consequência para as crianças, autores brasileiros indicam sintomas como:
Depressão
Incapacidade para adaptar-se aos ambientes sociais
Transtornos de identidade e de imagem
Desespero
Tendência ao isolamento
Comportamento hostil
Falta de organização
E algumas vezes abuso de drogas, álcool e suicídio.


Referências bibliográficas:


- DIAS, Maria Berenice. Síndrome da alienação parental, o que é isso?
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8690

- FONSECA, Priscila Maria Pereira Corrêa da. Síndrome da Alienação Parental.
http://www.pediatriasaopaulo.usp.br/upload/pdf/1174.pdf

- SEGUNDO, Luiz Carlos Furquim Vieira. Síndrome da Alienação Parental: O Bullying nas Relações Familiares. Disponível em http://www.lfg.com.br - 25 de outubro de 2009.

- SOUZA, Raquel Pacheco Ribeiro de. ALIENAÇÃO PARENTAL - CABE À SOCIEDADE VELAR PELOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
http://www.defensoriapublica.mg.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2192&Itemid=110

- Gardner. Richard A. O DSM-IV tem equivalente para o diagnóstico de Síndrome de Alienação Parental (SAP)?
- A SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL NA REFORMA DO JUDICIÁRIO.
http://www.alienacaoparental.com.br/textos-sobre-sap

A Síndrome da Alienação nos casos de separação e guarda de filhos

Quem nunca ouviu um “conhecido (a)” dizer para seu filho(a):
- “Seu pai não gosta de você”.
- “Sua mãe abandonou vocês”.
- “Ele não se importa com você”
- “Sua mãe é uma desiquilibrada”.
- “Ele está tentando te comprar.”
- “Está vendo, ele nem liga pra você.”
- “Está vendo, ele não presta. Ele não te dá a mínima”.
Estes são alertas de uma possível alienação parental, mais frequentemente observada em mães, visto que a maioria das mulheres ainda detém a guarda dos filhos, sendo as protagonistas deste cenário de horror.
São frases que parecem “inofensivas”, não refletidas, que acarretam sentimentos de baixa estima na criança em desenvolvimento, prejudicando sua auto-imagem, bem como destruindo e afastando a figura do outro genitor, que não detém a guarda.
Para compreendermos o complexo processo patológico que se configura, passaremos por alguns aspectos fundamentais, inclusive no intuito de visualizar possibilidades e reduzir os prejuízos decorrentes dela.
Poder Familiar (pátrio poder)
Considerando as mudanças culturais ocorridas, sabemos hoje que a família se modificou, trazendo o reconhecimento de novas configurações. Porém, ainda se reconhece como função da família zelar por seus integrantes. O poder familiar (antigamente reconhecido como pátrio poder), descrito no Código Civil, afirma a responsabilidade do pai e da mãe, que o exercem em nível de igualdade, e compreende a criação e educação dos filhos, incluindo sua representação e assistência, de acordo com a idade dos mesmos, nos atos da vida civil. Em casos de abuso ou negligência, o poder judiciário pode suspendê-lo, podendo até ser destituídos.
Casamento /separação
O casamento, muitas vezes visto na atualidade como espaço destinado a satisfação sexual e afetiva, muitas vezes acarreta frustração aos seus indivíduos, que por sua vez podem não se dar conta de suas próprias motivações e limitações, diante da formação dos vínculos familiares. Para se compreender o processo de alienação, é necessário analisar o processo de construção do casal, bem como cada um elabora o luto pela separação.
Mediação
As questões emocionais conscientes ou inconscientes, decorrentes das relações conjugais,recaem sob o judiciário e necessitam de intervenção, muitas vezes através de um mediador, para clarear os processos e propiciar sua resolução. Importante considerar que a separação implica em dissolução da conjugalidade, e não da parentalidade. Diametralmente oposta às separações consensuais, as separações litigiosas derramam sob o judiciário seus conflitos e suas angústias, que raramente atingirá a realização de seus desejos internos, de reaver o que lhe sente devido, ou de reassegurar o que se sente perdido ou frustrado. Sentimentos de mágoa e raiva podem advir da não elaboração desses conflitos entendendo ainda que estes podem ser decorrentes do nível de maturidade de cada um dos envolvidos.
“Superior interesse da criança”
Princípio que consolidou-se na cultura e é hoje valor tutelado : privilegiar o maior interesse da criança. Desde 1989 passou a integrar a Convenção Internacional dos Direitos da Criança. No ordenamento jurídico brasileiro, está implícito no texto da Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente e no novo Código Civil. A lei não o define, mas cabe ao magistrado investigar se estão sendo observados tais interesses, que estão acima dos interesses dos adultos.

- zelar para que as crianças não sejam separadas dos pais contra a vontade dos mesmos, a menos que seja necessária.
- casos em que sofre abuso ou maus-tratos ou descuido por parte de um dos pais, ou quando estes estiverem separados e uma decisão deve ser tomada a respeito do local de residência da criança.
- quando separada de um dos pais ou de ambos, manter regularmente relações pessoais e contato com ambos, a menos que seja contrário ao princípio.

A aplicabilidade desse princípio exige esforço de todos os envolvidos nos processos judiciais : partes, juízes, representantes do Ministério Público, advogados.
A busca da solução mais adequada para as disputas ou para os novos arranjos de guarda exige uma integração interdisciplinar e envolve técnicos como, psicólogos, assistentes sociais, psiquiatras, psicanalistas.
A Constituição Federal de 1988 afirma que é dever de todos, família, Estado e sociedade, a proteção à criança e ao adolescente. Portanto, reforça a importância de que, no momento da separação, haja atenção para a guarda dos filhos. Nas disputas de guarda, e diante de conflitos oriundos desta, este cuidado recai sobre as mãos do legislador, e demais operadores do Direito, devendo ser guiado no sentido de protegê-los.
Responsabilidade parental
Com as conquistas incorporadas no sentido de igualdade entre homens e mulheres, abandona-se o mito de que as mulheres são mais aptas para cuidar dos filhos, do que os homens. Diante desta nova perspectiva, ambos tem direitos e obrigações enquanto pais. Portanto, lhes cabe compartilhar a educação de seus filhos, sendo necessária a distinção da função conjugal, que se desfez, preservando a função parental, transmitindo aos filhos a segurança e cuidados necessários para seu desenvolvimento.
Competência parental
A separação ainda continua a acarretar conflitos na disputa da guarda de filhos. Por muito tempo viu-se um cenário onde este ainda era indicativo de poder sobre o outro, reforçado pelo judiciário na medida em que necessitava identificar, muitas vezes com auxílio de perícias, quem tinha melhores condições de exercer a guarda. A eleição de um, acarretava no descrédito do outro, e este devia contentar-se com a regularização de visitas.
A parentalidade implica num conjunto de atribuições de papéis articulados que se compõem de duas funções que irão estruturar o psiquismo humano: a função materna e a função paterna.
- Função materna : capacidade de poder reconhecer, acolher, conter, decodificar, nomear as necessidades tanto físicas quanto emocionais da criança.
- Função paterna : capacidade de poder interditar, dar limites a uma relação mais próxima com a figura de apego, usualmente a mãe, mas não necessariamente, instituindo limites, a lei, o simbólico.
Síndrome da Alienação Parental
Os casos de litígio envolvem frequente insatisfação e “brigas de ego”. Os que mais sofrem neste processo desgastante, são os filhos, muitas vezes “usados” para atingir o outro, sendo objeto de vingança e disputa. Muitas vezes diante de atitudes perversas.
Um fenômeno verificado por profissionais da área de saúde mental, bem como por advogados e juízes no Direito de Família, foi descrito pelo psiquiatra norte-americano Richard Gardner, especialista diante destas temáticas, em 1985. A alienação parental, é definida como:
“transtorno caracterizado pelo conjunto de sintomas que resulta no processo pelo qual um progenitor transforma a consciência de seus filhos, mediante diferentes estratégias, com o objetivo de impedir, obstruir ou destruir seus vínculos com o outro progenitor, até torná-la contraditória.”
Em outras palavras, é uma programação, através da qual a criança passa a odiar um dos genitores, sem motivo real.

Falsas denúncias de abuso e falsas memórias
A implantação de falsas memórias na criança pelo genitor que detém a guarda, construindo para esta uma “realidade inexistente”, trata-se de um abuso psicológico grave e extremamente perverso, o qual sem dúvida, danificará o desenvolvimento da criança, não só mutilando a relação desta com o outro genitor, mas criando uma confusão psíquica irreversível. As crianças são, compulsoriamente, submetidas a uma mentira, sendo emocional e psicologicamente manipuladas e abusadas e esta falsa denúncia passa a fazer parte de suas vidas e, por causa disso, terão que enfrentar vários procedimentos (análise social, psiquiátrica e judicial) com o fito do esclarecimento da verdade.
Quando ocorrem falsas denúncias de abuso físico, psicológico e sexual, merecem ainda maior atenção do judiciário, visto a necessidade de proteção da criança, mas mister será identificar a veracidade da denúncia.
Se for detectado que o alienador é o real abusador, também existe a necessidade de intervenção rápida, visto a possibilidade de destruição do vínculo da criança com o genitor alienado, podendo causar danos irreversíveis.
A importância dos pais
Sabe-se hoje que ambos, pai e mãe são importantes no desenvolvimento das crianças, e o ideal é que possam compartilhar de sua presença, atenção, cuidado e afeto. A figuras parentais são edificantes da estruturação psíquica da criança. Segundo FIORELLI (2009), as consequências da carência paterna são tão graves quanto as da materna. Ambos são primordiais para a formação dos vínculos, valores e construção da personalidade dos filhos.
Guarda de Filhos
As inquietações diante dos tipos de guarda aplicadas, urgiram reflexões. A exclusiva, enaltecia um e praticamente descartava a figura do outro, enquanto a guarda alternada preservava a igualdades das figuras parentais, mas acarretava outras dificuldades cotidianas, que inferiram no âmbito escolar e relacional das crianças. Hoje se fala da Guarda compartilhada, com o objetivo de preservar as figuras parentais, de acordo com o melhor interesse da criança.
Guarda compartilhada
Buscando o sentido da palavra compartilhar: tomar parte, participar, ou conjunta: ligado, junto simultaneamente, a guarda compartilhada é “aquela em que os genitores compartilham os cuidados com seus filhos e participam da vida dos mesmos, ficando responsáveis tanto afetiva como juridicamente por eles, o que não quer dizer divisão igualitária de tempo de convivência”.
Muitas vezes um deles ficará mais tempo fisicamente com os filhos, mas ambos exercerão autoridade de forma igualitária, e compartilharão das decisões que envolvem o desenvolvimento de seus filhos. Tem sido aplicada em diversos países, reconhecida pelos ganhos para todos os envolvidos. Existem estudos hoje que orientam os operadores do Direito a estimular a guarda compartilhada, chamando seus atores para sua responsabilidade diante de seus filhos, valorizando o papel de cada um., entendendo que o melhor interesse da criança é conviver com ambos os pais.
Aspectos favoráveis:
- não há hierarquia de papéis
- exige maturidade dos genitores para as decisões
- ambos exercem o poder familiar, envolvendo-se diretamente com a necessidade dos filhos, somando esforços para a sua melhor criação e educação
- as crianças ganham e deixa de vigorar o modelo antigo de pai provedor e mãe cuidadora, com visitas rigidamente fixadas
- abandono da figura de “pai de fim de semana”
- para funcionar deve contar com ambos, e se um a rejeita não pode ser imposta.
- não é recomendada se falta comunicação entre os genitores, portanto, não é recomendada para todos os casos.

Perícia em Direito Civil / Direito de Família / Vara de Família
Sentimentos ambivalentes, falas que revelam os sentimentos do alienador, e impendem a criança de desenvolver suas próprias relações. Evandro Luiz Silva e Mário Resende, psicólogos que atuam na área, realizando perícias e tratamento, contam sobre casos atendidos (in SAP: A Exclusão de um terceiro) e relatam as dificuldades em reverter o processo. Embora detectem que a criança ou adolescente reproduzam falas do alienador, em alguns casos conseguem resgatar sentimentos e lembranças de um pai positivo, quando estes tiveram a oportunidade de alguma convivência quando estes eram casados, mas só conseguem, quando a mãe não está por perto, e regridem diante do discurso alienador. Muitos abandonam o processo, em virtude do alienador, que se sente inseguro diante da perspectiva de que o filho reconheça seu pai. Quando constatam que ainda existe alguma possibilidade, se veêm diante deste recuo, e ainda das limitações do judiciário, em exigir que o tratamento continue, ou mesmo que a perícia seja concluída.
Vale incluir aqui ainda a necessidade da disposição de profissionais e o preparo destes, sendo estas queixas recorrentes.
Figura de Apego
As perícias realizadas sobre a guarda de filhos, inclui identificar a figura de apego: aquela que lhe garanta segurança, proteção e cuidados adequados, proporcionando-lhe uma relação de confiança que lhe possibilite a continuidade do desenvolvimento de suas potencialidades e de sua personalidade como um todo.
Lembrando-se que a identificação da figura de apego não se destina a desmoralizar o outro.
O papel do Judiciário
Profissionais assinalam a passividade do judiciário frente ao alienador, não conseguindo fazê-lo cumprir o que se propõe e não conseguindo puní-lo pelo descumprimento.
Encaminhamentos
Alertam ainda : o melhor é não deixar a SAP se instalar, daí a necessidade dos advogados, assistentes sociais e psicólogos encaminharem o alienador para um processo psicoterapêutico, onde consiga visualizar a criança, e o comprometimento emocional que nela causa, e ainda para que a criança seja fortalecida diante das ameaças da SAP. Mais do que punir, a necessidade de estimular o exercício da parentalidade, mostrando aos pais o quanto são importantes.
Possibilidades
Alguns autores e profissionais sugerem a reversão da guarda, no entanto, esta em muitos casos pode ocorrer como uma dupla violência à criança. O sugerido é que inicialmente sejam trabalhados, possibilitando uma reaproximação do outro, e reestabeleça-se a convivência, para posteriormente se pensar em alterar o modelo de guarda aplicado.
Verifica-se que, com tratamento, as vítimas obtém melhora na auto-estima, maior independência, aumento da produtividade escolar e melhora nas relações com os amigos, entre outros. Este deve ocorrer o quanto antes, para minimizar os efeitos da alienação, e os prejuízos decorrentes da mesma.
Crescimento e Revolta
Na identificação com a mãe ou pai alienador, a criança incorpora a percepção desta, e ameaças e articulações emocionais fazem a criança refém de um jogo doentio, exigindo que esta se comporte de modo hostilizador com seu pai, causando conflitos internos e não raro “os conflitos de lealdade dilaceram os filhos”.
Muitos países já reconhecem os danos causados aos filhos vitimizados, danos estes em sua saúde psíquica, que afetam todas as suas relações intra e interpessoais. Existem estudos que apontam ainda que pode ocorrer um padrão de repetição do comportamento aprendido.
Vale considerar que é significativo o número de crianças que vítimas dessa violência emocional, quando adultas, identificam a farsa, e se revoltam contra o alienador, no chamado “efeito bumerangue”. Percebem a injustiça feita com o outro genitor, mas não cessa o processo de sofrimento pois sentem uma culpa incontrolágel por constatar que foram cúmplices de uma grande injustiça com o não guardião.

Conhecer / Reconhecer
Entretanto, a SAP não é uma situação irreversível,
A divulgação do fenômeno pode sensibilizar a sociedade, exigindo dos seus, relacionamentos mais saudáveis, e criando mecanismos de repressão do comportamento alienador, e primordialmente, exercendo a parte que nos cabe na proteção de nossas crianças.

Referências Bibliográficas:
- Aspectos psicológicos na prática jurídica / organizadores : Antônio Carlos Mathias Coltro e David Zimerman. 2. Ed. –Campinas, SP: Millennium Editora, 2007.
- FIORELLI, José Osmir. Psicologia Jurídica /José Osmir Fiorelli, Rosana Cathya Ragazzoni Mangini. – São Paulo : Atlas, 2009.
Revista Isto é. Famílias Dilaceradas. Por Claudia Jordão.
- A Síndrome da Alienação Parental na reforma do judiciário.
- Síndrome da Alienação Parental e a tirania do guardião : aspectos psicológicos, sociais e jurídicos. Organizado pela Associação de Pais e Mães Separados. Porto Alegre: Equilíbrio, 2008.
- Guarda Compartilhada : aspectos psicológicos e jurídicos. Organizado pela Associação de Pais e Mães Separados. Porto Alegre : Equilíbrio, 2005
- ROVINSKI, Sonia Liane Reichert. Fundamentos da perícia psicológica forense/ São Paulo : Vetor, 2004. 175p. ISBN 85-7585-086-5
- GARDNER, Richard. O DSM-VI tem equivalente para o diagnóstico de Síndrome de Alienação Parental (SAP)? Traduzido por Rita Rafaeli in http://www.alienacaoparental.com.br/textos-sobre-sap

2 de mai de 2010

Síndrome da Alienação Parental



Vou dividir com vocês minha alegria. Há uns dois anos atrás, tentanto atualizar o material das minhas aulas, buscando livros sobre os temas na Internet, encontrei alguns que muito me interessavam... e assim descobri o trabalho da ONG APASE. Enviei um email para a editora, buscando incentivo de professores. E assim conheci o Presidente Analdino Rodrigues Paulino Neto (se é que posso assim dizer.. nunca o vi, só falei com ele por email... mas simpatizei com o trabalho desenvolvido pela ONG, e os livros "Guarda Compartilhada" e "Síndrome da Alienação Parental". E ele virá...