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17 de abr de 2010

Laudos psi em alta na mídia

Essa semana foi muito pertinente uma discussão com os alunos sobre os laudos psicológicos e psiquiátricos, tão expostos na mídia nos últimos tempos... A mídia tem sua contramão...é veículo positivo de comunicação e informação, mas tem o risco do recorte, de fatos isolados serem expostos e julgados. Começam a falar mal da psiquiatra que fez o lado do caso noticiado recentemente de pedofilia(e aqui não vamos falar das críticas ao judiciário). Não sabemos da história, de como fez, quando fez, etc. Guido Palomba, estudioso da área, abordou as críticas com cuidado... em entrevista na Globo: as palavras utilizadas no laudo realmente mostram um vocabulário utilizado na área de saúde, mas não considera elementos da área forense. Ok, como foi e onde foi, e quando foi solicitada a realizar a perícia... não temos conhecimento. Vamos cuidar. Melhor de fato teria sido, se fosse realizada por um especialista, mas na ausência deste, o judiciário tem amparo legal para solicitar à outro profissional regularmente escrito em seu conselho de classe.
Sabe o que é intrigante? é que as pessoas (e me incluo muitas vezes, por minha condição humana) desconsideram o processo de construção do conhecimento. Acreditam ainda que os da ciência psi tem bola de cristal. Claro que trabalhamos cientificamente com uma margem de acerto, caso contrário, seríamos desconsiderados do processo... mas vamos lembar de alguns pontos... muitas vezes, por exemplo, uma avaliação pode se alterar em função do tempo e dos recursos disponíveis... pensemos numa consulta: se você vai ao médico, e relata alguns sintomas, ele pode levantar uma hipótese diagnóstica... pode indicar determinado tratamento... se tiver possibilidades de solicitar alguns exames... terá uma margem de diagnóstico mais segura... muitas vezes elementos se modificam numa entrevista de 30 minutos... ou numa de 2 horas... se nós, por exemplo, os psicólogos, pudermos nos utilizar de algumas ferramentas, como o teste psicológico, poderemos ter uma margem maior de acerto a respeito da personalidade do sujeito... Claro que a sociedade ( e também me incluo), deseja que não haja erros, principalmente porque as consequencias dessas falhas são fatais...são vidas que estão em jogo... não se deseja que ninguém seja vítima, de falhas médicas, ou de falhas do judiciário... mas o sistema muitas vezes é responsável, como um todo,diante das limitações de intervenção que oferece... e talvez os profissionais também sejam vítimas deste sistema... é por isso que a ciência se desenvolve, é por isso que a sociedade aprimora e caminha... na perspectiva de evolução, mas, cuidemos com o julgamento. Neste momento, os psicólogos estão em alta, sendo reconhecidos... mas todos estão sujeitos diante dos processos socias de construção de conhecimento, e, pelo que me recordo, não costumamos ver 100% de acerto em nenhuma esfera... mas,quando os profissionais trabalham acertivamente, não fazem mais do que a obrigação... e quando são sujeitos à falhas, sua história pode ser destruída. Vamos pensar a respeito. Difícil conter o julgamento, mas necessário se não temos maiores elementos... Ressalvo que partilho da idéia e necessidade constante pela busca de maior qualidade e aprimoramento, para que pessoas não sejam lesadas.

6 comentários:

  1. Prezada Dra. Karline:

    Faço parte de entidades civis onde seus integrantes têm diariamente suas vidas afetadas por psicólogos forenses. Na intenção de contribuir para aprimoramento dos trabalhos e conceito da classe, gostaria de relatar que o que mais condena na psicologia jurídica é o fato de muitas vezes o profissional não estar preparado para o trabalho que aceita, como um dermatologista aceitando prescrever tratamento, o mesmo realizar uma cirurgia para um caso cardíaco! Outra vezes, o profissional não se resume a relatar, de forma isenta, o apurado. Passando a emitir opinião pessoal.
    Tomemos por exemplo as varas de famílias, pouquíssimos profissionais estão hoje habilitados a tratar do tema Alienação Parental, sendo algo que afetará a vida de muitos, inclusive da criança, de forma contundente. Entretanto, nunca soube de um profissional, que fosse "profissional o bastante" para recusar um trabalho por não ter conhecimento amplo o bastante. Claro que há bons profissionais mas, por vezes, o que vemos são pessoas rtotlamente descompromissadas para com a ciência e preocupadas com honorários.

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  2. Olá Petrus, ou "pessoa atrás do codinome"...

    Que bom ler você. Sabe que você tem toda razão. é inegável a preocupação com a qualidade dos serviços e dos profissionais oferecidos, seja na área de saúde, saúde mental ou mesmo no judiciário, e isso toma uma proporção ainda maior quando nos encontramos no lugar da vítima. Imagino a angústia de alguém que se vê injustiçado por qualquer uma dessas instâncias. Tenho muito cuidado no meu trabalho. Sei de poucos que se recusam a fazer um trabalho,mesmo sem competência para, ainda mais quando recém-formados, que buscam desesperadamente seu lugar ao sol. E tem muitas pessoas que nem se dão conta da extensão de suas ações, um completo absurdo. Precisamos de mais atenção à questões tão sérias, e que afetam todas as pesssoas de uma maneira tão profunda.
    Sobre a alienação parental, você deve ter percebido pelas referências ao lado que me interesso pelo tema. Tão comlexo, e de tantas repercusÒes na vida das pessoas. Em maio agora estaremos trazendo para um evento em Foz do Iguaçu o presidente Analdino, da APASE, que faz um trabalho especial. Conheci o tema através dele, e discuto essas questões com meus alunos, e me indigno quando sei que raros profissionais sabem do que se trata a questão. Mas, fico satisfeita por perceber que a comunicação, em seu lado positivo, proporciona esta troca e amplia o conhecimento. Basta ter sensibilidade para a busca e a escuta do outro.

    Obrigada por compartilhar. Um abraço, Karine

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  3. Karine:

    Conheço o Analdino sim, e muito bem !

    Tenho bastante contato com M.C. Pelini do CRP-SP, e já realizamos algumas palestras juntos. Convido-a ao BLOG:

    http://www.criancanobrasil.blogspot.com/

    Lá explico o "porque" do codnome, assim bem como algumas posições pessoais e vídeos bastante interessantes. Será um prazer receber sua visita e, quem sabe, passarmos a trocar experiências.

    Abraços

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  4. Moro em Brasília e travei contato direto com esse caso, já que trabalho no Centro de Observação que emitiu o laudo alertando o judiciário sobre a provável psicopatia de Adimar (como psicólogos, não poderíamos diagnosticar, por isso em casos suspeitos pedimos encaminhamento para um psiquiatra). Um dos problemas é que o Estado não fornece profissionais suficientes para atender a demanda do DF, hoje são mais de 8 mil presos e apenas nove psicólogos e dois psiquiatras! Mesmo que todos os profissionais sejam preparados, o excesso do serviço pode favorecer erros...

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  5. Olá querido Glauber, que bom tê-lo aqui... bem... não me recordo de proibicão legal para diagnosticar... vamos lá, me relembre... entendo que podemos sim, diagnosticar, e o fazemos em diversas áreas da nossa psicologia, a única restrição é para medicar... isso é o que nos difere da psiquiatria. Entendo que os psis são parceiros... psiquiatras e psicólogos muitas vezes se complementam... nós, numa visão mais ampla de personalidade e comportamento, e os psiquiatras numa visão mais aguçada do funcionamento mental, das funções mentais superiores... o que nos faz úteis pelo conhecimento, para as perícias em diversos âmbitos, inclusive no exame criminológico, fornecendo ao judiciário mais elementos a serem considerados nas decisões. Muitas vezes, o que ocorre, é uma formação que peca aos psicólogos quanto aos conhecimentos de psicopatologia, e muitos se sentem inseguros para diagnosticar, mas, acredito que colhemos dados importantes, na investigação, e diante das análises, levantamos hipóteses diagnósticas acertivas, que tendem a ser confirmadas nos diagnósticos psiquiátricos, e ocorrem com muita frequência, quando este conhecimento passa por um equipe interdisciplinar, e às veses na multi. Ano passado os psicólogos do DEPEN daqui do Paraná participaram de um treinamento, e neste tivemos uma palestra com uma fantástica juíza, com uma atuação que admiro, mas ela tentou desqualificar os psicólogos, dizendo que estes não era capazes de atingir ao que se propunham no exame criminológico, e eu respondi a ela, que desconheço profissional mais competende, para falar sobre o comportamento e personalidade, do que o psicólogo! Me reconheço diversas vezes bastante corporativista...risos
    um abraço pra você.
    Espero contar sempre com você por aqui.

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  6. Sim, de fato não podemos medicar, mas quanto a diagnosticar psicopatologias, confesso que fiquei na dúvida.
    Particularmente, não me sinto preparado para fazer um diagnóstico psicopatológico com precisão, apenas suspeito de determinados quadros. Nessas ocasiões, peço para o juiz encaminhar a pessoa para um psiquiatra.
    Mas vuo pesquisar sobre isso...

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